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Vue de la Comuna 13, Ville de Medellín (Antioquia), Colombie

Visite a Comuna 13: arte de rua, cultura e renovação em Medellín

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Em poucas palavras


A Comuna 13, composta por 16 bairros nas colinas de Medellín, é um exemplo vivo de resiliência e transformação social. Antes considerada um dos bairros mais perigosos da Colômbia, a área sofreu décadas de violência ligada a conflitos armados e ao tráfico de drogas. Hoje, ele se reinventou para se tornar um dos locais mais dinâmicos e inspiradores da cidade, atraindo milhares de visitantes todos os anos.

A metamorfose da Comuna 13 se baseia em uma explosão de criatividade e arte urbana. O distrito é agora um museu a céu aberto, com afrescos coloridos cobrindo as paredes e contando a história de seus habitantes, suas lutas e seus sonhos. As escadas rolantes instaladas no coração do distrito, símbolos de acessibilidade e progresso, permitem que os visitantes percorram as ruas íngremes enquanto descobrem essa galeria de arte a céu aberto.

Visitar a Comuna 13 é mergulhar em um mundo onde a arte e a cultura se misturam com a história local para oferecer uma visão única de Medellín. Essa parte de Medellín representa uma poderosa mensagem de esperança e renovação, demonstrando a capacidade de uma comunidade de se transformar ao superar as dificuldades.

Comuna 13

  • Cidade: Medellín
  • Departamento : Antioquia (Andes)
  • Altitude: 1.713 m
  • População: 140.758 (2020)
  • Clima: equatorial
  • Acesso direto de metrô (estação San Javier)
  • Interesses: cultura popular, arte de rua, paisagens (torres de vigia), questões sociais e econômicas

Nosso veredicto: um belo exemplo de resiliência ★★

Quando decidimos visitar a Comuna 13, foi com uma mistura de curiosidade e respeito. Essa área de Medellín, antes sinônimo de violência e pobreza, agora é conhecida por sua transformação social, artística e urbana. Desde o momento em que chegamos, sentimos uma energia vibrante: cores vivas e murais cobriam quase todas as paredes, cada um contando uma história, expressando uma mensagem de resiliência e renovação. Optamos por um passeio gratuito com um zippy tour (nossa experiência está detalhada abaixo). O guia, da comuna, era interessante, mas o grupo era bastante grande (cerca de 25 pessoas), o que foi bastante frustrante. Se pudéssemos fazer tudo de novo, optaríamos por um passeio pago com um grupo pequeno para conhecer melhor a comuna 13!

Quando visitar a Comuna 13 : É perfeita o ano todo.

Número de turistas na Comuna 13: A Comuna 13 é agora um dos locais mais visitados em Medellín e está se tornando cada vez mais popular entre os turistas. Esse distrito, antes marginalizado por causa de seu passado violento, agora atrai milhares de visitantes todas as semanas, ansiosos para descobrir sua história de resiliência e transformação. O número de turistas aumentou consideravelmente nos últimos anos, impulsionado pelo boca a boca, pelas redes sociais e pelas muitas visitas guiadas que destacam a vibrante arte de rua e a história social da área. Portanto, prepare-se para encontrar muitos turistas e visitas guiadas, a menos que decida ir “fora da trilha batida”.

A Comuna 13 é segura? Atualmente, a Comuna 13 é considerada relativamente segura para os visitantes, especialmente quando exploram as áreas mais frequentadas com guias locais. A transformação da Comuna 13 em um destino turístico trouxe um aumento na segurança, graças a uma presença policial mais forte e ao desenvolvimento de passeios supervisionados. As áreas mais populares, especialmente aquelas com murais e escadas rolantes, são bem monitoradas e recebem um grande número de turistas todos os dias, ajudando a criar uma atmosfera segura. No entanto, como em qualquer cidade grande, é essencial estar atento e evitar áreas que estejam longe das rotas habituais, especialmente no final do dia. As visitas guiadas são uma opção popular, pois não só proporcionam uma maneira segura de descobrir a história e a arte da área, mas também ajudam a apoiar as comunidades locais.

Clima na Comuna 13: O clima em Medellín e, portanto, na Comuna 13, é caracterizado por temperaturas amenas e agradáveis durante todo o ano, daí o apelido de “Cidade da Eterna Primavera”. As temperaturas diurnas geralmente variam entre 24°C e 28°C, com pouquíssimas flutuações sazonais. Os dias geralmente são ensolarados, embora ocorram chuvas regularmente. Em geral, são curtos, durando cerca de duas horas, mas podem ser intensos e frequentemente são seguidos por períodos de boa claridade. Os meses mais secos são dezembro, janeiro, fevereiro, março, julho e agosto, enquanto os meses mais chuvosos são abril, maio, junho, setembro, outubro e novembro.


A história e a evolução da Comuna 13


A Comuna 13 de Medellín é muito mais do que um bairro de murais coloridos e visitantes internacionais; é a personificação de uma notável transformação social e cultural. Antes mergulhada na violência extrema, a Comuna 13 é agora um símbolo de resiliência para Medellín e para a Colômbia como um todo. Aqui está uma retrospectiva de sua história, seus principais momentos e a maneira como esse distrito renasceu.

As origens: entre a pobreza e o conflito

A Comuna 13, situada nas colinas a oeste de Medellín, desenvolveu-se em condições difíceis desde o início. Durante as décadas de 1960 e 1970, a cidade de Medellín passou por uma forte migração interna, alimentada por famílias rurais que fugiam da pobreza e da violência que assolavam o interior da Colômbia. Essas famílias, em busca de melhores oportunidades, encontraram refúgio em bairros periféricos como a Comuna 13, mas sem o apoio ou a infraestrutura adequada do Estado. O bairro foi construído de maneira informal, com moradias precárias e densidade populacional muito alta, criando um terreno fértil para a desigualdade e as tensões sociais.

Durante a década de 1980, Medellín se tornou o centro do tráfico de drogas na Colômbia, dominado pelo infame cartel de Medellín, liderado por Pablo Escobar (observação: a Comuna 13 não tem nada a ver com ele). Devido à sua posição estratégica no alto da cidade e às suas rotas de acesso direto ao restante de Medellín, a Comuna 13 rapidamente se tornou um centro nervoso para os traficantes de drogas. A área lhes oferecia rotas ideais de fuga e transporte para seus carregamentos de drogas. No entanto, essa proximidade com o cartel mergulhou o distrito em um ciclo de violência: para controlar a área, os cartéis impuseram sua presença armada, aterrorizando a população local.

A situação se complicou na década de 1990 com a chegada de grupos guerrilheiros e milícias paramilitares. Na Colômbia, os conflitos armados envolvendo essas facções vinham ocorrendo há décadas, mas Medellín, devido à sua importância econômica e geográfica, rapidamente se tornou um campo de batalha. A Comuna 13 era um local estratégico para esses grupos: sua proximidade com estradas e áreas de tráfego a tornava um local privilegiado para operações armadas. Esses grupos começaram a lutar pelo controle do território, cada um tentando se impor pela força.

As guerrilhas, em especial o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), estabeleceram células ativas na Comuna 13. Ao mesmo tempo, milícias paramilitares que alegam estar combatendo os guerrilheiros invadiram o distrito, levando a confrontos diários. Os moradores, presos entre essas facções, viviam com medo constante de tiros, represálias e deslocamento forçado. De acordo com estimativas, milhares de pessoas foram forçadas a deixar a Comuna 13 no auge da violência, enquanto outras, sem solução, permaneceram presas em uma vida cotidiana marcada pelo terror.

As taxas de pobreza, que já eram altas, aumentaram devido à insegurança e ao isolamento da área. Os serviços públicos eram inexistentes ou ineficazes, e o Estado ultrapassado não conseguia garantir a segurança da população ou oferecer oportunidades econômicas. O desemprego e a falta de acesso à educação reforçavam as desigualdades e alimentavam as redes de crime, e os jovens residentes às vezes viam as gangues como seu único meio de sobrevivência e respeito. O recrutamento forçado para grupos armados era comum, com meninos sendo alistados para servir em combates mortais e meninas sendo frequentemente vítimas de violência.

Comuna 13, Cidade de Medellín (Antioquia), Colômbia
Foto de Néstor Morales

Operações militares: da tensão à pacificação

No início dos anos 2000, a Comuna 13 havia se tornado um ponto focal do conflito armado da Colômbia e uma área extremamente perigosa para seus moradores. Devido à sua localização estratégica nas colinas acima de Medellín, a área era cobiçada por vários grupos armados, incluindo guerrilheiros como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional), milícias paramilitares e gangues de drogas. Para esses grupos, o controle da Comuna 13 significava dominar uma área importante para as rotas de contrabando e manter a influência sobre a cidade. Diante da crescente violência, o governo colombiano decidiu intervir radicalmente para restabelecer o controle estatal na área.

A operação Mariscal: primeira tentativa de aquisição em 2002

A primeira grande intervenção militar ocorreu em maio de 2002, sob o nome de Operação Mariscal. Foi uma das primeiras tentativas das forças de segurança colombianas de recuperar o controle da Comuna 13 dos grupos armados. A operação mobilizou o exército, a polícia e as forças especiais, com o objetivo de neutralizar a guerrilha e as redes de drogas que operavam no distrito. No entanto, a Operação Mariscal foi marcada por intensa violência e confrontos ferozes que atingiram duramente os moradores. Essa primeira operação não conseguiu estabilizar a situação e provocou fortes críticas devido aos abusos de direitos humanos relatados e aos danos colaterais sofridos pelos civis.

Apesar dos esforços das autoridades, a Comuna 13 permaneceu assolada pela violência armada, e os grupos criminosos continuaram a exercer controle quase total sobre a Comuna. As tensões entre os residentes e as autoridades aumentaram, pois a população via as forças de segurança como uma fonte adicional de violência, em vez de uma fonte de proteção.

Operação Orion: a intervenção militar mais significativa

Diante desse fracasso, o governo lançou uma operação ainda mais ambiciosa e controversa em outubro de 2002: a Operação Orion. Essa intervenção militar, liderada pelo presidente Álvaro Uribe, tinha o objetivo de retomar definitivamente a Comuna 13. Foi uma das maiores operações de segurança urbana já realizadas na Colômbia. Participaram cerca de 1.500 soldados, policiais e paramilitares, apoiados por helicópteros e veículos blindados. As forças de segurança avançaram para os bairros da Comuna 13, confrontando diretamente os guerrilheiros e os grupos paramilitares, com a missão de neutralizar qualquer resistência armada.

A operação durou vários dias e terminou em intensos combates, com explosões, tiroteios e ataques nas ruas estreitas da Comuna 13. Os moradores se viram presos em suas casas, incapazes de sair porque os combates estavam literalmente acontecendo na porta de suas casas. De acordo com relatos de testemunhas oculares, a violência foi tão intensa que os civis tiveram que se esconder embaixo das camas ou em cantos remotos para evitar o fogo cruzado. A área assumiu a aparência de um campo de batalha, e muitas casas foram danificadas ou destruídas pelos combates.

Embora a Operação Orion tenha reduzido o domínio dos grupos armados, ela teve consequências humanas e sociais desastrosas. Foram relatadas inúmeras alegações de violações de direitos humanos. De acordo com números oficiais e ONGs locais, dezenas de pessoas foram mortas, enquanto outras desapareceram, algumas depois de serem presas pelas forças de segurança ou por milícias paramilitares aliadas. A população civil também sofreu atrocidades e centenas de moradores foram deslocados à força, fugindo da violência para encontrar refúgio em outros lugares de Medellín.

Consequências e controvérsias

A Operação Orion deixou uma marca profunda na memória coletiva da Comuna 13 e de Medellín. Para muitos, ela simboliza a intervenção violenta e repressiva do Estado, marcada por graves abusos e falta de justiça para as vítimas. Grupos de direitos humanos e as famílias dos desaparecidos continuam a exigir respostas e o reconhecimento oficial dos abusos cometidos durante essa operação. Todos os anos, as famílias das vítimas se reúnem para homenagear os desaparecidos e lembrar o sofrimento infligido à população local.

Apesar dessas críticas, do ponto de vista do governo, a Operação Orion marcou um ponto de virada para a segurança de Medellín. A violência armada diminuiu gradualmente após a intervenção, e a Comuna 13 escapou do controle direto de grupos criminosos pela primeira vez em várias décadas. Os bairros, embora ainda frágeis, recuperaram uma aparência de estabilidade, abrindo caminho para um processo de pacificação e transformação social.

Comuna 13, Cidade de Medellín (Antioquia), Colômbia

Rumo ao renascimento

Após décadas marcadas pela violência e insegurança, a Comuna 13 iniciou uma transformação espetacular, baseada na arte, na cultura e no desenvolvimento urbano. Essa renovação, que começou no início da década de 2010, deu nova esperança a uma comunidade que há muito tempo era marginalizada, ao mesmo tempo em que chamou a atenção do mundo para a incrível resiliência do povo de Medellín. Essa transformação é o resultado de várias iniciativas públicas e comunitárias que visam não apenas a melhorar as condições de vida, mas também a restaurar uma identidade positiva para o distrito.

Arte para resiliência: arte de rua

Um dos aspectos mais impressionantes da transformação da Comuna 13 é o surgimento da arte de rua como meio de expressão e memória coletiva. As paredes do distrito, antes austeras, agora estão cobertas de afrescos coloridos que contam a história, o sofrimento e a resistência dos habitantes. A arte de rua se tornou uma poderosa linguagem visual para homenagear as vítimas de conflitos passados e celebrar a coragem da população local. Essa explosão artística, impulsionada em grande parte por artistas locais e apoiada por ONGs e associações, transformou a Comuna 13 em uma verdadeira galeria a céu aberto.

As obras, geralmente de artistas locais, mas também internacionais, abordam temas de justiça social, paz e reconciliação. Rostos de crianças, símbolos de paz e representações de heróis locais pontilham as paredes, criando uma jornada visual rica em emoções e mensagens de esperança. Artistas que já foram vítimas ou testemunhas da violência recuperaram seus bairros por meio da pintura, transformando as ruas em locais de memória e compartilhamento. Alguns dos artistas mais conhecidos, como Chota13, ganharam reconhecimento internacional e se tornaram porta-vozes dessa transformação, atraindo visitantes de todo o mundo ansiosos para descobrir essa nova identidade visual.

Escadas rolantes: uma inovação que está transformando a vida cotidiana

Em 2011, o governo local inaugurou um projeto ousado e simbólico: as primeiras escadas rolantes públicas ao ar livre, instaladas na Comuna 13. Essas escadas rolantes, que totalizam 384 metros de comprimento, proporcionam uma ligação fácil entre as diferentes partes dos distritos, que estão localizadas em colinas íngremes. Antes de serem instalados, os moradores tinham que subir o equivalente a 28 andares para ir de uma ponta a outra da Comuna 13, o que era um desafio diário, especialmente para idosos, crianças e famílias com filhos pequenos.

A instalação dessas escadas rolantes teve um impacto significativo na vida cotidiana dos moradores locais, facilitando sua locomoção, mas também tem um forte impacto simbólico: ela marca o desejo da cidade de integrar a Comuna 13 e fornecer a ela um apoio concreto. Esse projeto de infraestrutura também ajudou a atrair visitantes, tornando as escadas um local imperdível, tanto por sua natureza inovadora quanto pelas vistas panorâmicas que oferecem da cidade.

As escadas rolantes da Comuna 13 não são apenas um meio de transporte: elas representam a abertura dos bairros para o resto da cidade e a acessibilidade para todos. Sua instalação inspirou outras cidades da América Latina e de outros países, demonstrando que um projeto de infraestrutura inovador pode mudar não apenas a paisagem urbana, mas também as perspectivas de desenvolvimento de uma comunidade.

Centros culturais e iniciativas comunitárias

O desenvolvimento urbano na Comuna 13 também incluiu a criação de centros culturais e espaços comunitários. Esses espaços permitem que os jovens se expressem por meio de disciplinas artísticas, como dança, hip-hop, música e teatro, oferecendo-lhes uma alternativa à violência e às gangues. Iniciativas comunitárias como a Casa Kolacho, fundada por artistas locais, estão desempenhando um papel fundamental na regeneração social dos bairros da Comuna 13. Esses centros organizam oficinas de pintura de murais, fotografia, música e dança para os jovens, que são convidados a participar ativamente da mudança de seus bairros.

O hip-hop, em particular, tornou-se uma parte central da cultura da Comuna 13. Os grupos de rap locais usam suas letras para denunciar injustiças passadas, falar sobre sua realidade diária e promover uma mensagem de paz e transformação. Esse movimento inspirou muitos jovens e ajudou a reduzir o índice de criminalidade nessa parte da cidade, dando aos jovens uma identidade positiva e uma saída para suas frustrações.

O impacto do turismo e da economia local

A transformação da Comuna 13 transformou essa área antes estigmatizada de Medellín em um importante destino turístico. Os turistas, atraídos pela arte de rua, pelas escadas rolantes e pela história única da área, agora estão se reunindo para descobrir essa parte da cidade. O turismo impulsionou a economia local, com os moradores abrindo lojas de artesanato, cafés e restaurantes, e alguns até oferecendo visitas guiadas, contando a história da área com suas próprias palavras.

Essa atividade econômica, diretamente apoiada pelo número de turistas, criou empregos e melhorou a qualidade de vida de muitos moradores. No entanto, os moradores da Comuna 13 insistem que o turismo deve ser gerenciado de forma sustentável, de modo que os benefícios sejam revertidos diretamente para a comunidade e a essência cultural do distrito seja preservada. Portanto, gerenciar o fluxo de turistas tornou-se um grande desafio, e iniciativas foram implementadas para conscientizar os visitantes sobre a necessidade de respeitar a cultura local.

Galeria de arte em Comuna 13, cidade de Medellín (Antioquia), Colômbia
Foto de Reiseuhu

Limites e desafios futuros

Embora a transformação da Comuna 13 seja amplamente aclamada por seus sucessos em termos de desenvolvimento urbano, social e cultural, ela está longe de ter resolvido todos os problemas que o distrito enfrenta. Os esforços feitos nas últimas décadas certamente melhoraram a qualidade de vida dos moradores, mas ainda há desafios, tanto econômicos quanto sociais. O distrito continua a enfrentar obstáculos que podem impedir seu desenvolvimento sustentável se não forem implementadas soluções.

Fragilidade econômica e dependência do turismo

Um dos limites para a transformação da Comuna 13 é sua dependência do turismo, que agora é uma importante fonte de renda para muitos de seus habitantes. Embora o boom do turismo tenha impulsionado a economia local, ele também criou um grau de insegurança: a prosperidade depende diretamente do número de turistas, um setor vulnerável a flutuações econômicas e crises políticas e de saúde. A pandemia da COVID-19, por exemplo, mostrou o quanto a economia da Comuna 13 pode ser vulnerável a uma queda repentina no número de visitantes. No caso de uma queda no turismo, a estabilidade econômica do distrito poderia novamente vacilar, destacando a necessidade de diversificar as fontes de renda e fortalecer a economia local.

Equilíbrio entre turismo e autenticidade cultural

Hoje, a Comuna 13 é um lugar onde a arte e a cultura atraem visitantes de todo o mundo, mas essa mania turística também representa um desafio: como a autenticidade da cultura local pode ser preservada diante da comercialização e da pressão turística? Alguns moradores locais estão preocupados com o fato de a Comuna estar sendo transformada em uma atração turística “artificial”, onde a arte de rua e as atividades culturais perdem seu significado original e são adaptadas às expectativas dos turistas. A comunidade quer preservar a sinceridade de sua arte e evitar que a Comuna 13 se torne um mero produto de consumo.

Portanto, as iniciativas comunitárias estão buscando conscientizar os visitantes sobre a importância de respeitar a área e manter um equilíbrio entre o turismo e a vida local. No entanto, esse equilíbrio continua frágil e requer apoio contínuo, além de regulamentação para garantir que os benefícios do turismo sejam revertidos diretamente para os residentes e que a autenticidade cultural seja preservada.

Problemas sociais persistentes

Apesar do progresso feito em termos de segurança, vários problemas sociais permanecem na Comuna 13. Os bairros ainda enfrentam níveis relativamente altos de pobreza, e muitos jovens não têm oportunidades educacionais e profissionais. Embora tenham sido feitos esforços significativos para oferecer aos jovens alternativas à violência, principalmente por meio de iniciativas artísticas e esportivas, os bairros ainda sofrem com a falta de recursos e infraestrutura para atender às necessidades educacionais e de treinamento.

Além disso, a presença de gangues e atividades criminosas não desapareceu completamente. Alguns grupos organizados permanecem e exercem pressão sobre os residentes, principalmente sobre os jovens, que podem ser tentados a participar dessas redes devido à falta de perspectivas econômicas. Esses problemas ressaltam a necessidade de políticas de desenvolvimento social mais abrangentes, incluindo programas de apoio à educação, ao emprego e ao empreendedorismo local, para oferecer alternativas sustentáveis às novas gerações. Muitos comerciantes também têm de pagar a vacuna a essas gangues, um imposto introduzido por elas.

Inclusão e participação dos residentes locais na tomada de decisões

Outro desafio é garantir que a transformação da Comuna continue a ser conduzida pelos próprios moradores, de modo que eles estejam no centro da tomada de decisões e das mudanças. Embora a população local tenha sido um ator importante na transformação da Comuna 13, existe o risco de que determinados projetos de desenvolvimento sejam decididos sem a devida consulta aos residentes, principalmente quando interesses econômicos e turísticos externos entram em jogo.

A comunidade quer manter o controle sobre as iniciativas que moldam seus bairros, para evitar que os projetos distorçam a essência e a história da Comuna 13. Portanto, é essencial fortalecer os mecanismos de participação cidadã e o diálogo entre as autoridades locais e os residentes, para garantir que os projetos futuros realmente atendam às necessidades da população.

Grafite na Comuna 13, cidade de Medellín (Antioquia), Colômbia

Visite La Comuna 13


Nossa experiência: visitando a Comuna 13 com a Zippy Tour

Histórico: visitamos a Comuna 13 em 2018 com a Zippy Tour (passeio gratuito). Naquela época, havia menos opções de prestadores de serviços (principalmente os guias independentes de língua francesa mencionados mais adiante neste artigo). Da mesma forma, não havia outras alternativas a serem exploradas, como as comunas 1, 3 ou 8.

Hoje, há uma variedade maior de prestadores de serviços, e provavelmente optaríamos por uma visita guiada paga com um grupo muito pequeno. Isso nos permitiria descobrir não apenas os pontos turísticos obrigatórios da Comuna 13, mas também lugares mais confidenciais, longe da agitação turística.

Vale a pena lembrar que os passeios gratuitos, como os oferecidos pela Zippy Tour, geralmente oferecem passeios clássicos, frequentados por muitos visitantes e geralmente organizados em grandes grupos.

Nossa aventura começa na estação de metrô San Javier, onde o nosso guia providenciou para nos encontrar. Assim que chegamos, vários guias cumprimentaram os visitantes, cada um formando seu próprio grupo. Vimos o nosso e nos juntamos a cerca de vinte pessoas prontas para descobrir os segredos da Comuna 13. O passeio, que dura cerca de duas horas e meia, é feito a pé, em um ambiente tranquilo, passando por vários setores. A Comuna 13 é, na verdade, um grupo de 16 bairros, e hoje nosso guia nos levará a um passeio por quatro ou cinco deles.

Natural da Comuna, nosso guia é um jovem de um dos bairros da Comuna, cativante e apaixonado por sua história. Ele compartilha conosco as horas sombrias da Comuna 13, as lutas e tragédias que vivenciou, levando-nos de volta a um passado difícil. Mas também evoca o renascimento e a metamorfose da Comuna ao longo dos anos, a ponto de se tornar uma das atrações turísticas mais emblemáticas de Medellín.

Desde o início, a voz do guia nos transporta para uma narrativa rica, pontuada por memórias intensas e anedotas pessoais. Ele conta como a Comuna 13, que já foi o epicentro da violência que marcou a Colômbia, renasceu graças à resiliência de seus habitantes. Não se trata apenas de uma visita, mas de uma conversa com um bairro inteiro, um diálogo em que cada esquina e cada parede pintada revela um capítulo desse livro vivo.

Ao sair das encostas dos Andes, ao entrar na Comuna, você também pode admirar dois dos aspectos que a tornam tão famosa. Em primeiro lugar, os murais (grafite, arte de rua), emblemas da resistência pacífica, cativam tanto quanto desafiam. Eles exibem suas cores vivas e mensagens poderosas nas paredes, como gritos de liberdade e esperança. O guia, com seus olhos orgulhosos e calorosos, para em frente a alguns deles, compartilhando sua história, a mensagem escondida por trás de cada pincelada. Não se trata de meras obras de arte, mas de peças da alma, testemunhos de coragem que falam da busca dos habitantes por paz e dignidade. Por meio das explicações do guia, cada pintura se torna uma janela para a vida, a cultura e os sonhos daqueles que reconstruíram seu distrito tijolo por tijolo, cor por cor. Os artistas locais, mas também os de todo o mundo, decoram as paredes da Comuna, transformando-a em uma galeria de arte a céu aberto!

Em segundo lugar, as emblemáticas escadas rolantes, verdadeiros símbolos da transformação urbana, nos levam gentilmente às alturas da Comuna. Esse sistema inovador facilitou a vida dos moradores locais e, ao mesmo tempo, tornou-se uma ponte entre os visitantes e a história da região. Paramos no topo, onde a vista de Medellín é de tirar o fôlego. É possível sentir o orgulho desse distrito que, contra todas as probabilidades, virou a página da violência para construir um futuro melhor. Abaixo de nós, a cidade se estende como uma tela em movimento, onde o passado e o presente se entrelaçam, e onde cada casa e cada beco parecem respirar uma nova vida.

Em seguida, o guia nos leva a vários pontos de vista onde podemos contemplar não apenas a Comuna 13, mas também a extensão de Medellín à distância. Esses mirantes improvisados geralmente estão localizados nas casas dos moradores locais, que criaram espaços acolhedores onde aqueles que desejam podem saborear os tradicionais petiscos colombianos. Muito mais do que uma simples parada gourmet, essa pausa apoia a economia local e oferece a chance de compartilhar um momento com os moradores, criando um vínculo fugaz, mas caloroso, com aqueles que fazem o coração da Comuna bater mais rápido.

À medida que a turnê avança, grupos de dançarinos de hip-hop (notadamente o Black and White, certamente o grupo mais famoso) e jovens músicos sobem ao palco, oferecendo ao público um show vibrante de dinamismo e criatividade. A música e a dança, vetores de resiliência e expressão, ecoam as histórias do guia, acrescentando uma nota festiva e comovente a essa imersão. A onipresente cultura de rua se tornou uma das linguagens da Comuna, uma linguagem que a Zippy Tour nos permite ouvir e sentir, deixando-nos com a impressão de não ter apenas visitado um distrito, mas de ter penetrado no coração de sua alma.

Restaurante em Comuna 13, Cidade de Medellín (Antioquia), Colômbia
Foto de Daniel Quiceno M

Guias da Comuna 13 (passeio de grafite)

Visitar a Comuna 13 com um guia é uma excelente maneira de explorar o distrito de forma segura e gratificante. Os guias, que geralmente são moradores locais, compartilham sua história pessoal e a história da transformação da Comuna, oferecendo detalhes e anedotas que você não encontraria por conta própria.

Os passeios pela Comuna 13 geralmente duram cerca de 3 horas.

Guias que falam francês (tour privado mediante taxa):

  1. Tom, um francês que vive em Medellín: tomtravelguide
  2. David, um colombiano nascido em Medellín que fala francês: sua página no Facebook
  3. Jonathan, outro cidadão francês que vive em Medellín: medelguide

Passeios de waklking gratuitos (passeios em inglês ou espanhol, geralmente em grupos grandes, para que você possa beber o quanto quiser, geralmente de 20.000 a 30.000 COP por pessoa):

  1. Turnê do Zippy: https: //www.zippytourcomuna13.com/

Como faço para chegar a La Comuna 13?


Há várias opções de transporte para visitar a Comuna 13 em Medellín:

  1. Metrô: pegue a linha B em direção a San Javier, a última estação dessa linha.
  2. Ônibus: da estação de San Javier, há ônibus locais (221-I) que servem vários pontos na Comuna 13. Não hesite em perguntar aos motoristas ou seguir as placas para encontrar o caminho para as principais áreas turísticas.
    A pé (recomendado): se você gosta de caminhar, também pode chegar a partes da Comuna 13 diretamente a pé a partir de San Javier. O caminho é de fácil acesso e permite que você explore a Comuna em seu próprio ritmo.
Metrocable na Comuna 13, Cidade de Medellín (Antioquia), Colômbia
Foto de Josseph Downs

Onde se hospedar durante sua visita a La Comuna 13?


Uma estadia em Medellín é ideal para explorar a Comuna 13, com uma ampla variedade de acomodações para atender a todos os orçamentos e preferências. Dois distritos são particularmente populares entre os visitantes:

1. El Poblado, famoso por sua vibrante vida noturna e hotéis de luxo. Esse é o distrito mais caro de Medellín, onde os preços podem ser altos para quase tudo.

2. Laureles, que oferece uma atmosfera mais local e acomodações mais econômicas.

Ambas as áreas oferecem inúmeras opções de acomodação e uma grande variedade de restaurantes.

Observação: geralmente não é aconselhável ficar no centro da cidade (La Candelaria), que pode ser menos seguro à noite do que El Poblado e Laureles. Como sempre, recomenda-se cautela, pois os riscos podem estar presentes em todas as áreas.

$ – Orçamento econômico

Hostal

Masaya Medellin
(Poblado)

Um dos melhores albergues da juventude da cidade, muito bem localizado no Poblado e com uma piscina na cobertura. A vista também é muito bonita!

SAIBA MAIS

$ – Orçamento econômico

Hostal

Bakú Laureles Hostel
(Laureles)

Um albergue da juventude simples e acolhedor no bairro de Laureles, com todas as comodidades nas proximidades. A equipe é muito boa.

SAIBA MAIS

$$ – Orçamento médio

Hotel

Hotel Loyds
(Poblado)

O hotel oferece uma estadia confortável com serviço atencioso, quartos espaçosos e uma localização central, ideal para conhecer a cidade.

SAIBA MAIS

$$ – Orçamento médio

Hotel

Los Patios Cool Living
(Laureles)

O Los Patios Cool Living oferece uma estadia moderna e elegante com quartos bem projetados, uma atmosfera amigável e instalações de alta qualidade.

SAIBA MAIS

$$$ – Alto orçamento

Hotel

El Cielo
(Poblado)

Talvez o melhor hotel de Medellín, luxuoso e moderno, com vistas espetaculares e serviço excepcional, garantindo uma estadia memorável.

SAIBA MAIS

$$$ – Alto orçamento

Hotel

Hotel de primeira classe
(Laureles)

Embora Laureles não seja conhecida por seus hotéis de alto padrão, esse hotel oferece acomodações agradáveis e serviço impecável por um bom preço.

SAIBA MAIS

$ – Orçamento econômico

Estadia em casa

Call Me Mami
(Comuna 13)

Call me Mami é uma iniciativa sem fins lucrativos administrada por um francês na Comuna 13. Ela permite que as donas de casa de Medellín recebam os viajantes em um ambiente familiar. A renda da acomodação vai diretamente para as famílias.

SAIBA MAIS

Grafite na Comuna 13, cidade de Medellín (Antioquia), Colômbia

Dicas para visitar La Comuna 13


Creme solar

Mesmo que o calor permaneça moderado, os raios solares são particularmente intensos na altitude. Lembre-se de se proteger bem aplicando protetor solar para evitar os efeitos dos poderosos raios UV.

Região chuvosa: impermeabilização necessária

Como em toda a região andina, as chuvas (às vezes intensas) são frequentes, portanto leve um poncho impermeável para se manter seco em caso de chuva. As chuvas geralmente ocorrem à tarde.

Esforço físico moderado

A visita à Comuna 13 é acessível a todos. Embora haja subidas e descidas, as escadas rolantes facilitam a locomoção. Cuidado com as multidões que às vezes podem congestionar as principais áreas turísticas, como Independencia 1, calle 35F, etc.

Use calçados confortáveis

A Comuna 13 está localizada em uma colina e exige que se caminhe e suba várias escadas (além das escadas rolantes). Portanto, recomenda-se o uso de calçados confortáveis para se locomover com facilidade e aproveitar a visita.

Dinheiro em caixa

Se quiser comer no local ou comprar uma lembrança, leve dinheiro em espécie (moeda local: peso colombiano), pois os cartões bancários ainda não são aceitos em todos os lugares.

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Foto de Os autores: Caro & Romain
Os autores: Caro & Romain

Somos um casal franco-colombiano que deseja compartilhar nosso amor pela Colômbia. 💛💙❤️

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